Marketplace: a digitalização crescente dos negócios durante a pandemia

O comércio eletrônico nunca esteve tão em alta no Brasil como no ano de 2020. Devido à pandemia do novo coronavírus, os comerciantes dos mais variados segmentos e tamanho buscaram reinventar o modelo de funcionamento de seus empreendimentos. Na esteira de tantos acontecimentos, os marketplaces ganharam destaque e espaço.

No interior de São Paulo, por exemplo, a experiência da senhora Lemes com sua loja de artigos religiosos pode ilustrar o avanço desse processo de digitalização. Situada nas imediações da Basílica de Aparecida, a loja “O Caminho” prosperou durante muito tempo com o intenso movimento que as romarias geravam. Porém, em abril deste ano, os efeitos da quarentena fizeram com que o movimento caísse vertiginosamente, o que fez a empresária pensar que iria falir. 

Foi então que ao ver na televisão um comercial sobre um programa de incentivo da Magazine Luiza para micro e pequenas empresas colocarem seus produtos nas vitrines virtuais da varejista, a empresária decidiu partir para as vendas online. A estratégia deu certo e com 380 produtos disponíveis na internet, a loja de Aparecida consegue faturar R$ 9.000 por mês. O suficiente para conseguir manter as portas abertas e com considerável saúde financeira durante uma grave crise.

Milhares de negócios também seguiram esse caminho e instalaram-se pelos mais variados marketplaces, que funcionam como um shopping center virtual no qual lojistas de todos os portes vendem seus produtos em troca de comissões para as mantenedoras que, por sua vez, impulsionam as vendas online de seus parceiros.

De acordo com dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), entre março e julho de 2020 foram mais de 120.00 novas empresas cadastradas em marketplaces, o triplo dos números registrados antes da pandemia.

Os consumidores em isolamento social encontraram na internet o caminho para continuar comprando e isso refletiu na expansão acentuada do formato marketplace. Entre abril e junho de 2020, segundo a Neotrust/Compre & Confie, 5,7 milhões de brasileiros decidiram fazer sua primeira compra online. Esses montante configura um aumento de 30% em relação aos números registrados no mesmo período do ano passado.

A estimativa é de que o comércio eletrônico fature 117 bilhões de reais até o final do ano, sendo 45% provenientes dos marketplaces. Três anos atrás, os valores arrecadados por essas plataformas correspondiam apenas a 24% do total. Portanto, não é possível negar sua importância e seu potencial para as empresas de pequeno e médio porte.

As consequẽncias da pandemia para o mundo dos negócios aguçou a disposição dos marketplaces em angariar novos parceiros e, assim, direcionaram grande parte de seus recursos para tornar as plataformas ainda mais atraentes e também lucrativas.

A Amazon, precursora no conceito de marketplace no início dos anos 2000, tem colhido os frutos de suas estratégia assertiva e há cinco anos mais da metade de seu faturamento vem dos parceiros. A percepção desse retorno fez com que a empresa investisse, só no ano passado, 15 bilhões de dólares em logística para facilitar a vida e as entregas de seus parceiros empreendedores de pequeno porte.

O chinês Alibaba, que direciona praticamente todos seus esforços de atuação para seu marketplace, também investe pesado para apoiar seus parceiros e tornar o modelo da plataforma de vendas online mais atrativo. A estratégia consiste em ganhar a lealdade dos milhões de vendedores cadastrados e gerar receita com isso.

Os resultados são impressionantes: as vendas brutas do Alibaba tiveram uma alta de 15% em um período de 12 meses. Em março, com o fim de mais um ano fiscal, anunciaram que a marca de 1 trilhão de dólares em vendas brutas.

Comissões mais favoráveis e outros benefícios 

As gigantes do marketplace perceberam o enorme potencial do mercado brasileiro e compreenderam também que é preciso cuidar de seus ativos mais valiosos: os lojistas parceiros.

No Brasil não existem um player que domine esse mercado, como faz a Amazon na Europa e E.U.A, ou o Alibaba na China. Por aqui, a disputa é acirrada entre Mercado Livre, com praticamente 30% do total de vendas online do país, seguida pela B2W (dona das Americanas e Submarino) e pela Magazine Luiza, ambas com aproximadamente 20%.

A busca pelo domínio nesse segmento leva as organizações a fazerem apostas altas. Veja o exemplo do líder Mercado Livre que, em abril, disponibilizou 600 milhões de reais para linhas de capital de giro que pudessem apoiar os lojistas brasileiros para os quais os bancos viraram as costas. Ademais, ofereceram descontos de até 30% nas comissões das vendas durante um período de 3 meses. 

A consequência dessas ações foi um acréscimo de 71.000 novos vendedores cadastrados no Brasil, uma proeza para quem já conta com mais de 11 milhões de parceiros na América Latina.

A iniciativa Parceiro Magalu, da Magazine Luiza, também segue a mesma linha e oferta condições favoráveis para os lojistas. Desde março no ar, os benefícios incluem um site para os empreendedores fazerem a gestão de suas contas a pagar e comissões especiais para novos membros – 3,99% a cada venda, uma parcela dos habituais 12,8%. Depois de cinco meses, são 24.000 novos lojistas cadastrados. 

Dessa forma, pequenas e médias empresas contribuem para a construção de portfólios diversos e para a distribuição de inúmeros produtos por todo o país e ainda divulgam as marcas e serviços dos marketplaces mantenedores.

A pandemia com certeza foi catalisadora de um processo que a cada dia transforma ainda mais a realidade do mercado. Com tantas oportunidades e ações facilitadoras, os bazares digitais avançam sobre o varejo comum em uma dinâmica célere e que não terá volta. Afinal, muitos pequenos e médios empresários já têm o marketplace como primeira opção e 50% dos novos negócios que surgiram durante a pandemia apostaram logo de cara no comércio digital – grande parte em marketplaces – como aponta pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva.

Pouco tempo atrás, era mais comum que as plataformas fossem um chamariz para os empreendedores que possuíam familiaridade com as vendas pela internet. Entretanto, depois da pandemia, elas perceberam que os lojistas que ainda habitam exclusivamente o universo físico representam um potencial enorme de crescimento e aumento da capilaridade de suas próprias organizações.

Mesmo com todas as variáveis existentes, podemos afirmar uma coisa: é pouco provável que os milhões de consumidores que descobriram as compras online durante a pandemia, abandonem esse hábito quando o “novo normal” se estabelecer. Da mesma forma que os milhões de lojistas que viram no marketplace um caminho seguro em tempos de incertezas, não irão abrir mão dessa alternativa vantajosa para seus negócios.

A tendência é que os marketplaces tornem-se mais fortes no cenário pós-pandemia, pois há espaço de sobra nas vitrine digitais espalhadas por todo o país.

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Referência: https://exame.com/revista-exame/vitrine-disputada/

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